Navegando por la Patagonia Austral

Atividades a bordo de um Cruzeiro de Expedição: Australis 2015-16

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Nunca me imaginei trabalhando em um cruzeiro. Muito menos em um cruzeiro de expedição, cuja definição até o ano passado eu desconhecia. Muito, mas muito menos, trabalhando como guia bilíngue (espanhol e inglês) em um barco chileno, navegando pelos canais e fiordes da Patagonia e Tierra Del Fuego. Por isso queria deixar aqui um breve relato sobre essa minha experiência, um registro sobre minhas atividades a bordo para que, em um futuro, eu mesmo possa ler e relembrar essa aventura que estou vivendo. Claramente o fato de compartilhar essa experiência com os visitantes deste humilde blog também me da um prazer especial.

Primeiramente, deixar claro que tudo isso é e sempre será fruto de minhas escolhas, de minha paixão e boa fé em aventurar-me e deixar algumas coisas padronizadas de lado para seguir em busca de algo desconhecido. Essa foi a escolha que fiz quando, no inicio do ano 2014, decidi viajar sem rumo, deixando para trás meu emprego como designer, velhos e bons amigos de guerra e meus queridos familiares. Muita coisa rolou nesse tempo, coisas positivas e também negativas. E tudo, os caminhos e os resultados alcançados, demonstraram que minhas escolhas neste momento estavam corretas. Tive minhas decepções e minhas desilusões, mas nunca deixei de acreditar que esse era meu próprio caminho e que, como tal, deveria ser trilhado para ser traçado.

Hoje, escrevendo em meu laptop, em uma cabine dividida com outros 3 companheiros, na ultima coberta do cruzeiro de expedição Vía Australis, me considero realizado e satisfeito com o que tenho. Claro que os sentimentos são variados e sinto falta de meus queridos e de uma boa praia em um momento de descanso, porém creio nesse rumo que minha vida tem seguido. Estar presente, consciente, sóbrio, livre… Meras palavras que dificilmente descreverão o que sinto nesse momento, porém que me ajudam a qualificá-lo minimamente. E não espero de mim outra coisa senão seguir adiante.

Algo que me chama atenção constantemente é como o tempo passa depressa aqui embarcado. Os dias se passam rapidamente e cada vez duram mais (atualmente, em Novembro, praticamente as 23h ainda é possível ver o céu claro). E essa impressão é um pouco assustadora. A rotina é bastante intensa, porém sem muito estress. Temos nossas tarefas diárias bem definidas e dificilmente temos mais do que 7h ou 8h de trabalho “direto”, afinal de contas estamos embarcados e qualquer movimento que realizamos fora de nossa cabine é obrigação estarmos devidamente uniformados e bem apresentáveis. Esse sim é o detalhe que cansa um pouco mais: a relação com o seu entorno em que temos a certeza que nada nos pertence, tudo é de todos e ao mesmo tempo nada é de ninguém. E tenho saudades de cozinhar, tomar uma cerveja gelada e dormir numa rede em alguma varanda de cidade grande. Desejos tão intensos que me fazem desejar estar cada vez mais longe para não lembrar como é bom estar em casa.

Recebemos passageiros de todo o mundo. Americanos, suíços, alemães, italianos, australianos, russos. Mas também primos distantes do nosso continente sul-americano e até um casal de Madagascar fez uma viagem conosco na semana passada. A experiência é gratificante. Compartilhar um pouco de minha experiência como guia e contar minha historia para alguns poucos destes passageiros. Mas existe também seu porém, que é o gasto de energia depositado nesta relação, uma relação que dura, em média, um pouco mais de 4 dias (nossas viagens duram 4 ou 5 dias, dependendo da rota escolhida pelo passageiro). Nossa capacidade máxima de passageiros é 136 passageiros, mas dificilmente atingimos este limite – geralmente navegamos com uma média de 90 a 100 passageiros por viagem. E aqui está a grande magia da questão: os dias estão totalmente padronizados com as rotas, os horários todos encaixados e definidos por atividades e tudo, absolutamente tudo, está organizado e descrito em documentações da empresa. Ou seja, não há lugar para dúvidas ou para o famoso “jeitinho brasileiro”, no máximo, um “chilean way of life” para resolver o problema.

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Minha equipe de trabalho é muito boa, com pessoas competentes e bem treinadas. Meus companheiros diretos de trabalho são guias experientes na Patagonia e muito aprendi e aprendo com eles. Claro que às vezes (ou “quase sempre”) perdemos a paciência um com o outro, mas fato é que existem diversos fatores nesta relação que dificultam ainda mais o que poderia ser uma “relação amistosa”. Desde a rotina e o constante contato entre a tripulação (horários de comidas compartilhados, excursões e hierarquias, atividades e tarefas em geral, etc) até coisas mais intimas, como compartilhar uma cabine de 4 homens. Claramente, “todo con la más buena onda de siempre”, já dizia o sábio.

Depois de mais de 2 meses embarcado e vivendo neste extremo confim do continente americano, posso me dar por satisfeito e dizer com orgulho fazer parte desta experiência. Levar gente de todo o mundo e guiá-los com sabedoria e domínio, mostrando e compartilhando um pouco desta regiao tão expecial do planeta, me faz pensar em nosso papel como agentea ativos do nosso entorno. Com certeza, sempre com o melhor compromisso de aprender sobre o todo e com a positividade que nos leva mais para lá e nos empurra a descobrir sempre mais.

“En esta región, todos los días tenemos pruebas de cuanto es grande y fuerte la naturaleza: los vientos provenientes del Océano Pacífico, el mar agitado e insaciable, las aves volando al nuestro rededor, los tremendos glaciares y montañas que provienen de la Cordillera Darwin con todo su esplendor. Estamos visitando la Tierra del Fuego, inmensa isla que da origen a todo un archipiélago, caracterizada por una fauna y flora única en el mundo. Recibimos personajes impregnados de historias que vienen acá hacer su viaje al “fin del mundo” y a veces nos pasa desapercibido donde nos encontramos. Una vez más, preparo mi café y subo a la cubierta exterior para apreciar el paisaje: “¡Que hermoso es vivir en el fin del mundo!”

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Texto e fotografías por Felipe Oliveira Arruda

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